Eleições 2018: Alckmin reúne-se com presidentes de PSB e PRB


Tucano tenta apoios para sua candidatura

PALOMA RODRIGUES - PODER 360

Alckmin se reuniu com Carlos Siqueira (direita) em Brasília

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, se reuniu na 4ª feira (23.mai.2018) com presidente de 2 partidos importantes para composições estaduais, Carlos Siqueira, do PSB, e Marcos Pereira, do PRB. Os encontros aconteceram em Brasília.

Alckmin solicitou o encontro com os comandantes partidários. No encontro com Carlos Siqueira, também conversou o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB). Este foi o 1º encontro de Alckmin com o comando do PSB neste ano, depois de ter se firmado como o pré-candidato tucano ao Planalto.

O comando do PSB se divide entre o apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, ao Planalto, ou optar por não apoiar nenhum candidato no 1º turno. Mas Alckmin mira também apoios estaduais. O PSB deve ter ao menos 10 candidatos próprios aos governos dos Estados.

O PRB de Marcos Pereira vem aumentado a proximidade com o senador Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos à Presidência. O partido, além de garantir tempo de televisão a quem apoiar, ainda tem grande penetração entre os evangélicos, por ser próximo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Sobre o apoio a Dias, Marcos Pereira afirma que “a priori ainda estão dialogando”, mas o partido tem se aproximado do grupo que tenta isolar PSDB e MDB na corrida pelo Planalto. Por isso, Alckmin não quer deixar o grupo se distanciar a ponto de o cenário ser irreversível.

Alckmin tem afirmado que comporá uma base de apoio para sua candidatura com ao menos 5 partidos. O PSD, PTB e o PPS já estão próximos do ex-governador de São Paulo e devem oferecer apoio ao tucano.

ACENO AO DEM

Outro movimento importante feito pelo tucano na 4ª (23.mai) foi apoiar o pré-candidato do DEM ao governo da Bahia, José Ronaldo. O PSDB havia desistido de formar aliança com o DEM no Estado quando o prefeito de Salvador, ACM Neto, desistiu de concorrer ao governo do Estado.

O PSDB havia indicado o lançamento de uma candidatura própria, do deputado João Gualberto. O partido declinou da decisão e voltou a se aproximar dos demistas no Estado.

Os movimentos de Alckmin acontecem quando a candidatura do tucano passa por forte pressão. Aliados afirmam que a candidatura precisa decolar nos próximos meses para se consolidar como a mais forte dentre as que querem atrair os partidos do centro. Essa ascensão poderia facilitar o diálogo de Alckmin com os partidos que têm pré-candidaturas com baixa expressão nas pesquisas de intenção de voto.

Prefeito Bruno Covas recorre à Justiça para garantir abastecimento de combustível para ônibus e caminhões de lixo


Falta de combustível pode afetar serviços essenciais e pedido à Justiça visa garantir direito de ir e vir da população

Secretaria Especial de Comunicação

Resultado de imagem para prefeito bruno covas

A Prefeitura de São Paulo recorreu à Justiça nesta quinta-feira (24) para garantir o abastecimento de combustível para os ônibus da frota municipal e para os caminhões que fazem a coleta de lixo na cidade. As empresas do sistema municipal de transporte estão com baixo estoque de óleo diesel por causa da greve nacional dos caminhoneiros. Outros serviços essenciais também podem ser afetados nos próximos dias.

São citados no pedido à Justiça o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo e o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo e Região. Leia a ação cautelar, com pedido de liminar, na íntegra

A Prefeitura pede a imediata cessação dos atos de protesto que impeçam “a saída dos veículos destinados ao abastecimento da frota de ônibus do transporte público do Município de São Paulo das distribuidoras” e “a saída dos veículos destinados ao abastecimento da frota de veículos envolvidos nos demais SERVIÇOS PÚBLICOS ESSENCIAIS - Limpeza Urbana, ATENDE, SAMU, etc”. O governo municipal solicita, ainda, a fixação de multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

Bolsonaro não sabe ouvir crítica, então desrespeita, afirma Alckmin


Os dois pré-candidatos trocaram acusações pelas redes sociais

Thais Bilenky - Folha.com
SÃO PAULO
O pré-candidato tucano Geraldo Alckmin, que bateu boca com Jair Bolsonaro (PSL) 
Foto: Zanone Fraissat - Folhapress

No dia seguinte em que bateu boca com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB) voltou a criticar o oponente na disputa eleitoral.

“Ele não sabe dialogar. Não sabe ouvir crítica. Então, desrespeita as pessoas”, afirmou Alckmin nesta quinta-feira (24), em São Paulo.

“O que o Brasil precisa é de diálogo. Porque quem for eleito presidente da República vai ter que dialogar para poder fazer avançar um conjunto de reformas de que o país precisa”, disse o tucano.

Na quarta, em sabatina realizada pela Folha, UOL e SBT, o tucano apontou a convergência entre votos de Bolsonaro e do PT, chamando-o de representante do atraso e do corporativismo.

Bolsonaro contra-atacou nas redes. "Geraldo Alckmin me rotula de atrasado por meus votos no passado. Um dos votos que mais me orgulha foi o contra a reeleição de FHC. Não aceitei a propina do seu partido, PSDB. Estou aguardando alguém da sua laia me chamar de corrupto", disse o deputado. 

Nesta quinta, em palestra promovida pela revista Exame, Alckmin disse que, neste período de pré-campanha eleitoral, a cobertura da imprensa é “só fofoca”, embora tenha usado, ele próprio bem como Bolsonaro, as redes para trocar acusações.

O tucano admitiu que “todo mundo gostaria de ter pesquisa mais alta”, referindo-se ao desempenho empacado na intenção de voto. 

Mas disse ter confiança de que chegará ao segundo turno, já que o eleitor, primeiro, encanta-se com quem se diz “contra tudo” e, depois, opta por “quem vai cuidar do seu dinheiro”.

Geraldo Alckmin participa hoje do EXAME Fórum Combate à Ilegalidade


No evento em São Paulo, autoridades, especialistas e empresários discutem como combater práticas como contrabando e contrafação de marcas

Imagem relacionada

EXAME realiza, na manhã desta quinta-feira (24), em São Paulo, o EXAME Fórum Combate à Ilegalidade. Nele, autoridades, especialistas e líderes empresariais vão discutir práticas ilegais que prejudicam os negócios no Brasil, como contrabando e contrafação de marcas. O evento, que contará com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, será transmitido ao vivo na página de EXAME no Facebook e na página inicial do site EXAME.

No fim da manhã, Geraldo Alckmin sobe ao palco para abordar como o Brasil pode desenhar uma agenda para combater a ilegalidade e fortalecer seu desenvolvimento.

O EXAME Fórum Combate à Ilegalidade conta com o patrocínio do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO). Acompanhe a transmissão ao vivo, das 9h às 12h30, na página inicial do site EXAME ou no Facebook.

'Quem enricar com política é ladrão', afirma Geraldo Alckmin


Imagem relacionada

Pré-candidato do PSDB à Presidência do Brasil, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin declarou nesta quarta-feira (23), durante sabatina promovida por UOL, Folha de S.Paulo e SBT, que se sente indignado com as suspeitas de supostos crimes ocorridos em suas campanhas eleitorais e disse que "não tem absolutamente nada" nas investigações sobre ele.

Em uma defesa da própria trajetória política, Alckmin disse ter 40 anos de vida pública, citou suas experiências como vereador e prefeito de Pindamonhangaba (SP), deputado estadual e federal e governador, e afirmou que se aposentou pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com R$ 5.000 de aposentadoria.

"Moro no mesmo apartamento. Então eu me sinto indignado, porque há uma tendência agora no Brasil de defenestrar a política, dizer que é todo mundo igual. Não, não é. Quem enricar com política é ladrão. L-a-d-r-ã-o", afirmou Alckmin, soletrando a última palavra. "Tem que diferenciar as coisas", completou. "Isso é um absurdo verdadeiro", disse o presidenciável. Alckmin afirmou que seu patrimônio total é de R$ 1,3 milhão, "praticamente o mesmo de quatro anos atrás".

O pré-candidato do PSDB disse ainda que todas as suas campanhas "foram feitas rigorosamente dentro da lei, sem nenhuma ostentação", depois de ser indagado sobre o suposto envolvimento de Adhemar Ribeiro, seu cunhado, na arrecadação de caixa 2 para despesas eleitorais.

Na delação da Odebrecht, Ribeiro foi acusado de ser intermediário no recebimento de R$ 10 milhões em caixa 2. "Ficou 1 ano essa delação na PGR [Procuradoria-Geral da República e não se chegou a nada", diz o presidenciável. "Não tem absolutamente nada."

Segundo o ex-governador, seu cunhado é apenas um "simpatizante do PSDB".

"Ele é casado com uma banqueira, dono de financeira, simpatizante do partido, nada mais do que isso. Não tem nenhuma relação com o governo", declarou, sobre o cunhado, irmão de sua mulher, Maria Lúcia Guimarães Ribeira, conhecida como dona Lu.

Alckmin rebateu ainda as acusações de que sua campanha teria recebido R$ 5 milhões em caixa 2 da concessionária CCR em 2010, sustentando que agiu contra o interesse da concessionária de estradas ao quebrar o monopólio do produto Sem Parar, que serve para pagar pedágios. "Eu quebrei o monopólio do Sem Parar. Entramos na Justiça contra as concessionárias", respondeu.

"Essa [acusação] da CCR eu não sei o que é, e está publicado na primeira página do jornal", disse.

Questionado sobre as denúncias de irregularidades envolvendo as obras do Rodoanel, Alckmin afirmou que as investigações sobre o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza --conhecido como Paulo Preto-- foram iniciadas pelo próprio governo. Documentos enviados ao Ministério Público mostram que Souza tinha R$ 113 milhões em contas na Suíça. "Se isso for provado, ele tem que dizer a origem do dinheiro", disse o pré-candidato do PSDB.

Sobre a investigação encaminhada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) para a Justiça Eleitoral de São Paulo, depois que ele perdeu o foro privilegiado ao deixar o governo do estado, no mês passado, Alckmin disse que esse é "o foro adequado".

Ele argumentou que a decisão do Ministério Público paulista de abrir uma investigação criminal contrariou o STJ e a PGR (Procuradoria-Geral da República), mas afirmou que "não tem nenhum problema". "Pode fazer as duas investigações", declarou.

Azeredo foragido e Aécio réu

A sabatina com o tucano acontece no dia em que o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo foi considerado foragido pela Polícia Civil de Minas Gerais.

Sobre o assunto, Alckmin afirmou que o PSDB não é imune a críticas nem à prestação de contas ao Poder Judiciário e defendeu que o ex-governador de Minas se entregue.

"O PSDB não é imune à crítica, a prestar contas ao Poder Judiciário. Nós não passamos a mão na cabeça de ninguém. Justiça se cumpre. É para o PT, para o PSDB, é para todos os partidos. Ninguém está acima da lei Cumpra-se a Justiça, é essa a nossa posição", declarou.

O presidenciável também foi questionado sobre a situação do senador Aécio Neves, também ex-presidente do PSDB e tornado réu pelo Supremo Tribunal Federal. "Tenho a impressão de que ele não será candidato", disse Alckmin.

"O que é decolar?", diz Alckmin sobre pesquisas

Segundo as últimas pesquisas, Alckmin estaria fora do segundo turno se a eleição fosse hoje. O tucano chegou a aparecer com 4% das intenções de voto em um cenário do levantamento CNT/MDA divulgado na semana passada, ficando em 5º lugar.

Diante do desempenho que preocupa seus aliados, ele minimizou os resultados e disse que "as pessoas se impressionam com pesquisa eleitoral neste momento". "Pesquisa eleitoral nesse momento não está olhando o futuro", declarou. "Eu tenho de 6 a 12%. Eu não decolei. O que é decolar? Até 15 dias atrás, tinha 22 pré-candidatos. Isso é fruto da falta da reforma política", avaliou.

Alckmin citou o desempenho dos ex-prefeitos de São Paulo João Doria (PSDB) e Fernando Haddad (PT), que ficaram em 1º e 2º lugar no último pleito municipal e tinham "um dígito" nas intenções de voto no início da campanha de 2016. Em comparação, os então candidatos Celso Russomano (PRB) e Marta Suplicy (MDB) tinham, segundo Alckmin, 30% e 20%, respectivamente.

"O processo eleitoral não começou. Os argumentos da eleição ainda não comentaram. Quem tá interessado na eleição? Só nós", respondeu aos jornalistas que participaram da sabatina, acrescentando que a população só se empenhará na campanha em agosto, após a Copa do Mundo.
Tucano fala sobre alianças e diz que Doria na chapa é "fake news"

Alckmin afirmou que discute alianças com cinco partidos, mas descartou, no momento, se aliar ao MDB – cujo nome ao Planalto, Henrique Meirelles, disse respeitar.

Quanto às suposições de que o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB), cotado para o governo do estado, possa substitui-lo como cabeça de chapa na campanha à Presidência, afirmou que isso é "fake news". Ele ainda criticou a "criatividade" da imprensa e citou nomes que não foram para a frente, como Luciano Huck e Joaquim Barbosa.

Segundo Alckmin, as definições de alianças e do vice na chapa só acontecerão em meados de julho, época das convenções partidárias. Ele afirmou acreditar que irá crescer e "crescer forte", com foco em agosto e setembro, pós-Copa do Mundo e festas juninas. Em viagens pelo Brasil, o ex-governador de São Paulo tem dito que o interesse do público às eleições só se manifestará semanas antes do primeiro turno do pleito e quando começar a campanha na televisão e no rádio.
Críticas a Temer

Questionado sobre como avalia o governo do presidente Michel Temer (MDB), Alckmin disse ser "claro" que faltou legitimidade ao emedebista para fazer as reformas propostas e, indiretamente, ser difícil governar com tantas acusações de corrupção. Ele se recusou a dar uma nota para a atual gestão.

"Quando você não tem voto, você é meio intruso. Então, essa é lógica da democracia. Ela traz força, legitimidade, crença. [...] Pelas circunstâncias, primeiro pelo impeachment, isso é um trauma. É óbvio que tem consequências. Depois, não ter voto. As circunstâncias todas, dificílimo", assegurou.

Em seguida, indagou como seria possível querer aprovar a reforma da Previdência no último ano de mandato. Temer e ministros já deram declarações de terem vontade de aprovar a medida após as eleições. "Isso não existe", assegurou.
Agenda de reformas

Na sabatina, Alckmin informou querer implementar pelo menos quatro reformas: política, com voto distrital ou distrital misto; reforma tributária; reforma de Estado; e reforma da Previdência (sem a entrada das Forças Armadas em um regime único, mas com mudanças para os militares). Se eleito, garantiu que enviará projetos de lei e propostas de emenda constitucional até 1º de fevereiro de 2019. 

O pré-candidato se disse favorável à reforma trabalhista aprovada pelo governo Michel Temer e que ela foi "bem-feita". Contudo, afirmou que precisa ser aperfeiçoada, como os termos de trabalho de grávidas e lactantes em situações de insalubridade.

Questionado se recriaria a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), Alckmin negou e falou ser "muito cômodo acertar as contas públicas aumentando a carga tributária". Para o pré-candidato, é preciso reduzir despesas para aumentar a confiança, gerar investimentos e fazer a economia crescer.

'Um SUS para a segurança pública', artigo de José Serra


Investimento em inteligência, informação e planejamento é a resposta ao crime


Os elevados índices de criminalidade são uma das maiores preocupações atuais dos brasileiros. Embora a sensação de insegurança não se esgote na efetiva prevalência dos delitos – um importante fator psicossocial também influencia na percepção da violência –, é inegável que o problema é gravíssimo. No caso dos homicídios, a média brasileira se aproxima de 30 mortes ao ano por 100 mil habitantes, três vezes o limite aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera epidêmicos níveis superiores a 10 por 100 mil habitantes/ano.

Preocupam o poder do crime organizado e a extrema violência e audácia dos criminosos. Não é por menos que, em 2016, 437 policiais foram assassinados no Brasil, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No Estado do Rio de Janeiro, no mesmo ano, foram mortos 2,3 policiais por mil, um índice inaceitável sob qualquer perspectiva. Recentemente tivemos o episódio de um ataque a mães e alunos de uma escola de crianças, em Suzano, que, felizmente, não teve mortos e feridos entre as vítimas. Culminou com a morte do agressor.

De fato, o problema da segurança vem se revelando um desafio à própria democracia no Brasil. Na esteira do recrudescimento da violência cresce a tentação de ideias de cunho autoritário, que propagam a falsa noção de que existiria incompatibilidade entre a repressão ao crime e as garantias individuais – o mais fundamental pressuposto do Estado Democrático.

Para complicar ainda mais, setores da esquerda, embora minoritários, ainda mantêm resquícios das confusas elucubrações marcusianas dos anos 60 e 70, que viam a criminalidade como uma variante da luta de classes e, espantosamente, um repositório de virtudes emancipatórias. Felizmente, também na esquerda o crime é cada vez mais visto como o que realmente é: uma expressão da barbárie, uma ameaça à vida e à civilização.

Nunca é demais lembrar que no Brasil e na América Latina as grandes vítimas da criminalidade são os mais pobres, que habitam as regiões mais violentas e são oprimidos por traficantes e milicianos. Na maioria, as vítimas de assassinatos são jovens negros.

Coibir o crime e combater a criminalidade devem ser prioridade absoluta, principalmente porque a redução drástica da criminalidade, em curto prazo, será uma das conquistas mais desejadas pelos setores mais pobres e desprotegidos da nossa população.

Nessa área é preciso ter a coragem de enfrentar preconceitos mal informados. Até por que, se nós não enfrentarmos esses dilemas, essas demandas se transformarão cada vez mais em bandeira dos extremistas.

Outra frente importante de ação na segurança pública é o combate duro e inflexível ao crime organizado – não com populismo nem desrespeitando os direitos humanos, mas investindo maciçamente em inteligência e tecnologia. Basta lembrar que as facções conseguem manter suas redes de comando e hierarquia em livre comunicação dentro e fora dos presídios.

Os instrumentos legais hoje disponíveis são insuficientes para combater o crime organizado em sua complexa configuração atual. O Congresso deu um passo importante para superar essa situação. O Senado acaba de aprovar o Projeto de Lei da Câmara n.º 19, de 2018, que cria o Sistema Único de Segurança Pública, com clara inspiração no Sistema Único de Saúde (SUS).

O diagnóstico que levou à aprovação desse projeto é exatamente o de que o combate ao crime organizado se faz com o uso de inteligência, o compartilhamento de informações e o aprofundamento da cooperação e da coordenação entre os vários órgãos de segurança pública, nos três níveis da Federação. O crime sofisticou-se, organizou-se e criou redes hierárquicas nacionais – em alguns casos, até com ramificações internacionais. A resposta do Estado para derrotá-lo é investir em inteligência, informação e planejamento.

O projeto cria condições para atingir esses objetivos, principalmente pela previsão de planos nacionais de segurança pública e defesa social, que estabelecerão as estratégias coordenadas, as metas, os indicadores e as ações para o alcance desses objetivos.

Por questões históricas, nossas forças de segurança subnacionais não têm uma coordenação central, mesmo nos Estados, pois são organizadas em Polícias Militares e Polícias Civis. Isso sem contar outros órgãos de segurança pública, como as guardas municipais e o sistema de administração prisional.

Bancos de dados nacionais, incluindo informações cruciais para elucidação de crimes, como os de material genético e de rastreabilidade de armas e munições, serão estabelecidos e vão operar segundo regras estritas de segurança, confiabilidade e garantia de privacidade dos cidadãos.

Além da coordenação das ações e do compartilhamento de informações e dados, a proposta cria mecanismos de avaliação das forças de segurança, para mensurar objetivamente sua eficiência. Isso tornará possível a correção de rumos e a aplicação mais racional dos recursos. Se não forem eficientes, os órgãos públicos não serão capazes de garantir à população a segurança que merece e é obrigação fundamental do Estado.

A nova lei é suficiente? Claro que não. Um problema tão grave não se resolve com uma só medida, ainda mais de cunho legislativo. O investimento na segurança deve aumentar, o que não é fácil em meio às atuais restrições fiscais. A grande deficiência que vejo hoje no combate ao crime é a débil vigilância de nossas fronteiras. Se não fecharmos os circuitos de entrada e distribuição de armas, drogas e mercadorias contrabandeadas, o combate local continuará uma penosa e inútil operação de enxugar gelo.

Finalmente, deve-se dar especial atenção aos circuitos financeiros ilegais que alimentam o poder do crime organizado. Se não cortarmos esse oxigênio, o monstro continuará respirando.

*JOSÉ SERRA É SENADOR (PSDB-SP)

Prefeito Bruno Covas proíbe fabricar, vender e soltar fogos de artifício barulhentos em São Paulo


Multa para quem descumprir nova lei será de R$ 2 mil e terá o valor dobrado em caso de reincidência em menos de 30 dias.

Tatiana Santiago - G1 SP

Vereador Mario Covas e prefeito Bruno

O prefeito Bruno Covas (PSDB) sancionou na manhã desta quarta-feira (23) o projeto de lei que proíbe a fabricação, comercialização, o manuseio e soltar fogos de artifício barulhentos dentro do município de São Paulo. O texto será publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (24).

Também fica proibida a fabricação e uso de quaisquer artefatos pirotécnicos com efeito sonoro ruidoso. Em caso de descumprimento, a multa prevista é de R$ 2 mil. O valor da multa será dobrado na primeira reincidência e quadruplicado a partir da segunda nas infrações cometidas dentro de um período inferior a 30 dias.

“O que se espera é uma conscientização da população para os problemas provocados pelo barulho dos fogos. É algo que atinge idosos, bebês, além dos animais. As pessoas com autismo têm muitas dificuldades. Com barulho intenso precisam de acompanhamento”, afirmou o vereador Reginaldo Tripoli (PV), um dos autores da lei.

Normalmente os animais, especialmente os cães e gatos, são os mais afetados porque possuem a audição mais aguçada que a dos humanos e, consequentemente, são mais sensíveis ao barulho.

"No caso dos animais, no desespero, há risco de atropelamentos. Muitos, quando estão sozinhos podem se ferir. Os fogos causam transtornos para muitos cidadãos. Por isso a necessidade de uma conscientização. Os luminosos, com baixa emissão de som, continuam permitidos”, ressaltou Tripoli.

O texto é de autoria dos vereadores Reginaldo Tripoli (PV) e Mario Covas Neto (Podemos). O projeto foi aprovado pelos vereadores em segunda votação, na Câmara Municipal, no dia 3 de maio.

Os fogos com efeitos visuais, sem estampido, continuam permitidos, assim como aqueles que produzem barulho de baixa intensidade. A lei vale para recintos abertos e fechados, públicos ou particulares, em toda a capital paulista.

A venda da maioria desses artefatos é proibida para menores, mas como a fiscalização é falha isso continua a ocorrer com frequência.

A lei será regulamentada pelo poder executivo em até 90 dias. A Prefeitura irá definir quem irá fiscalizar a lei e como será a fiscalização.

Alckmin anunciará equipe de peso para movimentar campanha


Lista inclui embaixador Rubens Barbosa, médico Roberto Kalil, socióloga Maria Helena Guimarães de Castro e general Campos

O Estado de S.Paulo

Resultado de imagem para alckmin presidente

O tucano Geraldo Alckmin vai anunciar nos próximos dias a equipe de governo. O presidenciável do PSDB programa uma série de eventos temáticos para mostrar que sua prioridade nessa fase é elaborar propostas para o País ao lado de especialistas. A lista vai do embaixador Rubens Barbosa ao médico Roberto Kalil, à socióloga Maria Helena Guimarães de Castro e ao general Campos.

Coordenador-geral da campanha de Alckmin, Luiz Felipe d’Avila afirma que os eventos de lançamento dos integrantes do plano de governo ajudam a “ocupar” espaço no noticiário político, além de combater “fofocas” sobre uma eventual substituição do nome de Alckmin. “A campanha está estruturada agora. Não começou de fato antes por uma opção do Geraldo, que escolheu primeiro encerrar o rito do governo, passar o bastão. É o estilo dele”, diz.

Segundo d’Avila, o programa em elaboração vai embasar a comunicação da campanha. “Esse é o nosso diferencial, os outros não têm propostas profundas para as demandas do País. O Brasil não tem um plano B. Se o Geraldo perder essa eleição, vai ser um desastre.”

A maioria dos selecionados já trabalhou no setor público em gestões tucanas ou não. “É gente que pensa política pública. Isso é o que interessa, não basta ser figurão”, afirma o coordenador.

As surpresas ficam por conta das escalações de Januário Montone, ex-secretário de saúde da capital denunciado pela Justiça por corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo da máfia da merenda, e do general João Camilo Pires de Campo, ex-comandante militar do Sudeste. O primeiro vai integrar a equipe de saúde e o segundo, de segurança pública e defesa.

A equipe econômica já foi apresentada e conta com os economistas Persio Arida, Edmar Bacha, José Roberto Mendonça de Barros e seu filho Alexandre. Os três primeiros participaram do Plano Real e agora receberam a missão de propor medidas que dobrem a renda do brasileiro em dez anos, até aqui a principal promessa de Alckmin que, aliás, não explicou como alcançá-la.

Educação. Na quinta, 24, será a vez de o tucano apresentar os especialistas responsáveis por sugerir metas para a área da educação. A coordenação ficará a cargo de Maria Helena Guimarães de Castro, que deixou a secretaria executiva do Ministério da Educação no início do mês após não ser escolhida pelo presidente Michel Temer para comandar a pasta. Ligada ao PSDB, já foi secretária estadual da educação (gestão José Serra) e presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) no governo Fernando Henrique Cardoso.

A socióloga elabora as propostas de um eventual governo Alckmin com a ajuda do ex-secretário de educação do Rio na gestão Sergio Cabral, Wilson Risolia, e da empresária Ana Maria Diniz, uma das fundadoras do movimento Todos Pela Educação. Ana é mulher de d’Ávila, que organiza reuniões com todas as equipes temáticas para montar a versão final do plano de governo do tucano até o fim de junho.

Maria Helena foi um das responsáveis pela reforma do ensino médio, editada via medida provisória pelo governo Temer sem discussão com a sociedade, mas elogiada por Alckmin. Também sem debate público, o tucano tentou, em 2015, fazer uma reorganização escolar no Estado, mas após manifestações recuou na decisão de fechar mais de 9o escolas. Já o economista Risolia diz pensar a educação como um “negócio”.

Segurança. Na próxima segunda, 28, Alckmin vai anunciar, no Rio, quem o ajudará na área da segurança pública, tema caro ao ex-governador. Em disputa direta com Jair Bolsonaro (PSL), que chegou à lideranças das pesquisas com a bandeira do combate ao crime, o tucano quer se mostrar com o único candidato capaz de reduzir os índices de criminalidade do Brasil – São Paulo tem a menor taxa estadual de homicídios. E assim conquistar eleitores especialmente no Nordeste, que sofre com a escalada da violência, e no Rio.

Além do pesquisador Leandro Piquet, que já estuda uma forma de facilitar o porte de armas no campo – proposta de Bolsonaro –, o tucano vai anunciar a colaboração do coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública; da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB-PE); que tem seu próprio plano de segurança; e o general Campos, que comandará a política de defesa.

Citando o exemplo de Raquel, o presidenciável vai afirmar que uma das soluções para combater o crime é investir na municipalização da segurança, a partir de parcerias com as prefeituras. Entre as demais soluções estão ainda a criação de uma agência nacional de inteligência policial e de uma academia nacional de polícia.

Os especialistas do tucano na área, no entanto, não devem sugerir nenhuma política relacionada à remuneração dos policiais, como um piso nacional. Alckmin, aliás, deixou o governo pagando aos policiais militares de São Paulo um dos cinco salários mais baixos do Brasil.

Saúde. Após o evento no Rio, a equipe de Alckmin vai marcar a apresentação à imprensa dos médicos escolhidos pelo tucano para formular seu plano na saúde. A lista inclui Roberto Kalil Filho, médico preferido dos políticos – tratou Lula e Dilma –; Claudio Lottenberg, presidente do UnitedHealth Group Brasil – dona da Amil –; e David Uip, ex-secretário de saúde de São Paulo.

No grupo estão ainda o economista Barjas Negri, que já foi ministro da saúde, e Januário Montone, ligado a Serra e Gilberto Kassab. A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP) completa a lista, sendo a responsável pelas políticas de inclusão.

Já a equipe que elabora propostas para a área de saneamento, mais especificamente água – outra bandeira que Alckmin quer levantar na campanha após ‘superar’ a crise hídrica em São Paulo – terá nomes conhecidos: Benedito Braga e Jerson Kelman, secretário estadual de Recursos Hídricos e ex-presidente da Sabesp, respectivamente. Entre as propostas do tucano estará a transposição de mais um rio, desta vez o Tocantins.


SEGURANÇA

Leandro Piquet
Raquel Lyra
José Vicente
Raquel Lyra
General Campos


EDUCAÇÃO
Maria Helena
Wilson Risolia
Ana Maria Diniz


POLÍTICA EXTERNA

Rubens Barbosa


SAÚDE

Roberto Kalil
Claudio Lottenberg
Barjas Negri
David Uip
Januário Montone
Mara Gabrilli


PROGRAMAS SOCIAIS

André Portela


SANEAMENTO

Benedito Braga
Jerson Kelman


ECONOMIA

Persio Arida
Edmar Bacha
José Roberto Mendonça de Barros
Alexandre Mendonça de Barros

Alckmin: ‘Indignação, solidariedade e esperança’


José Fucs - BR18

Imagem relacionada
Luiz Felipe d’Avila e Geraldo Alckmin

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, vai ancorar seu discurso de campanha em três grandes eixos: a indignação, a solidariedade e a esperança.

O cientista político Luiz Felipe d’Avila, coordenador do programa de governo e da área de comunicação do tucano, disse que o eixo da indignação vai explorar o repúdio à corrupção, a percepção de que o Estado é caro e ineficiente e a rejeição ao capitalismo de compadrio. O eixo da solidariedade explorará a ideia de que o Brasil não é um país desigual, mas ineficiente. E o da esperança, a promessa de dobrar a renda dos brasileiros e zerar o déficit primário em dois anos. 

Justiça não é vermelha, nem azul, diz Alckmin sobre Azeredo


Segundo o pré-candidato, ex-governador está afastado há quase dez anos da vida partidária

Géssica Brandino - Folha.com


O pré-candidato à Presidência e presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (22) que a decisão da Justiça de Minas Gerais determinando a prisão do tucano Eduardo Azeredo mostra que as instituições são apartidárias.

“Isso mostra que as instituições funcionam. A Justiça não é vermelha, nem azul, nem amarela e nem verde. Diferentemente de outros partidos, que querem desacreditar as instituições, nós defendemos que a lei é igual pra todos e que se há decisão judicial, que se respeite”, declarou.

Alckmin falou com jornalistas após almoçar com varejistas num hotel em São Paulo, pouco antes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais formar maioria e negar o último recurso do ex-governador Azeredo (PSDB), condenado em segunda instância a 20 anos e 1 mês por peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro no esquema conhecido como mensalão tucano.

O pré-candidato negou que a condenação possa respingar na imagem do partido e interferir nos seus planos eleitorais. “Qualquer partido grande pode ter desvio de conduta. O que importa é que as instituições funcionem”, afirmou.

Questionado se o partido tomará alguma providência em relação à filiação de Azeredo, Alckmin disse que o ex-governador está afastado da vida partidária há quase dez anos.