Empresário alvo do TSE teria recebido propina ligada a campanha de Haddad


FLÁVIO FERREIRA, REYNALDO TUROLLO JR., ESTELITA HASS CARAZZAI- FOLHA.COM

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Dono de uma gráfica investigada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ex-deputado estadual petista Francisco Carlos de Souza recebeu, segundo três delatores da Lava Jato, R$ 2,6 milhões em propina da Petrobras para pagar dívidas da campanha de 2012 do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Souza, conhecido como "Chicão" ou "Chico Gordo", é proprietário da gráfica Souza & Souza, alvo de ação na Justiça Eleitoral movida pelo PSDB em processo que investiga a campanha presidencial da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer em 2014. A suspeita é de que a gráfica seja uma empresa de fachada, sem capacidade de produção de material para campanha e emissora de notas frias.

Na Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, o acionista da construtora UTC Ricardo Pessoa e o ex-diretor financeiro da empreiteira Walmir Pinheiro apontaram um homem apelidado de "Chicão" como destinatário de transações para quitar despesas de campanha de Haddad, mas não indicaram o nome completo dessa pessoa.

Gráfica contratada pela campanha de Dilma que está sob investigação no TSE
Marlene Bergamo/Folhapress 

Em depoimento à força-tarefa da operação, em julho de 2015, Youssef afirmou que realizou os repasses para "Chicão" a pedido de Ricardo Pessoa. O delator disse não se lembrar do nome completo dele, mas deixou um número de celular que bate com o de Souza, conforme apuração da Folha.

Posteriormente, Pessoa também fechou acordo de colaboração e confirmou as transferências. O valor, segundo ele, seria descontado da "conta corrente" de propinas devidas ao PT, abastecida com desvios da Petrobras.

Pessoa disse que "Chicão" foi indicado como destinatário dos valores pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Segundo o ex-diretor financeiro da UTC Walmir Pinheiro, a dívida da campanha de Haddad foi negociada diretamente com "Chicão".

Pinheiro relatou ainda que, em reunião, Vaccari "afirmou que teria uma dívida da campanha de Haddad de R$ 3 milhões com uma gráfica" e "perguntou se poderiam pagar essa dívida e abater o valor na conta corrente que mantinham, decorrente das obras da Petrobras".

Ante a concordância de Pessoa, Pinheiro negociou o pagamento e conseguiu reduzi-lo para R$ 2,6 milhões.

No celular de Pinheiro, o nome de "Chicão" estava registrado como "Chicao jvn" –em referência às iniciais do ex-tesoureiro Vaccari.

Youssef complementou o relato, dizendo que o total do suborno foi repassado de forma parcelada em 2013, em dinheiro vivo ou transferências bancárias feitas por uma das empresas de fachada do doleiro, a Empreiteira Rigidez.

Quebra de sigilo bancário mostra que em 10 de junho de 2013 a Empreiteira Rigidez transferiu R$ 160 mil para outra gráfica ligada a Souza, a LWC Artes Gráficas, que pertencia a sua ex-mulher e a um irmão dele à época dos repasses. De acordo com o doleiro, essa era parte da quitação em favor de "Chicão".


VÁRIAS GRÁFICAS

Nos anos 70, Souza foi metalúrgico. Na década seguinte, foi fundador do PT e elegeu-se deputado estadual pelo partido. Está no ramo gráfico desde os anos 90, época em que foi dono de uma terceira gráfica, a King Graf.

Na prestação de contas de Haddad em 2012 estão registradas despesas no valor de R$ 354 mil com a LWC.

Naquele ano, a LWC declarou ter prestado serviços para comitês de seis partidos no Estado. Foram R$ 960 mil em despesas oficiais, conforme registro no TSE. Desse total, R$ 866 mil vieram do PT.

Assessores e amigos de Temer atacam Marta e dizem que ela vai perder


Mônica Bergamo - Folha.com

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As redes sociais foram inundadas nos últimos dias por comentários de assessores e amigos íntimos de Michel Temer atacando Marta Suplicy (PMDB-SP) ou prevendo a derrota dela.

MARTA VERSUS TEMER
A página de Arlon Viana, chefe do gabinete da Presidência da República em SP e integrante das executivas do PMDB nacional, estadual e municipal, trazia na quarta (27) as seguintes mensagens: "A candidata Marta deturpa os fatos. O governo federal nunca disse que vai aumentar a carga horária do trabalhador". Em outro texto, ele disse: "Lamento que a candidata Marta tenha entrado nesse papo furado".

MEMÓRIA
Há alguns dias, Marta criticou a proposta, que o governo diz não ser oficial.

TCHAU, QUERIDA
Em outra mensagem, Arlon Viana, que trabalha há muitos anos com Temer e é considerado um de seus amigos mais próximos, prevê a derrota da candidata: "Se voto útil for contra Marta, ela deverá terminar o primeiro turno em 4° lugar! Eu disse se for!!!!".

TCHAU, QUERIDA 2
O jornalista Gaudêncio Torquato, coordenador de um grupo de comunicação informal que auxilia Temer, diz no Twitter: "Há tempos falei [que] Doria assumindo papel do novo vai ganhar". Marta diz que enfrenta dificuldades por causa da pauta maldita do governo Temer.

Conexão PCdoB-PCC: ligação de facção com eleições é apurada


Dois candidatos são suspeitos, mas nada ainda foi comprovado


O GLOBO

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Em São Paulo, os primeiros indícios de que a facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do estado tentava expandir seus tentáculos para a política surgiram nas eleições de 2010. Até hoje, nada se provou sobre a influência do crime organizado em campanhas eleitorais, mas, a cada disputa, aparecem candidatos apontados por terem ligação com o grupo criminoso.

Este ano, há ao menos um candidato a vereador na capital e um a prefeito, na cidade de Embu das Artes, que tiveram seus nomes associados à facção. Eles negam. Também nunca foram condenados.

Wanderley Lemes Teixeira, o Manolo, candidato a vereador pelo PCdoB, está sendo investigado pela Polícia Civil desde agosto por suspeita de envolvimento com a facção. Três integrantes do Movimento de Sem Teto de São Paulo (MTST) liderados por Manolo foram presos em agosto, acusados de usarem um prédio invadido como ponto de reuniões de integrantes da organização criminosa e depósito de armas e drogas. 

Adversários tendem a poupar Doria em debate na Globo


Russomanno, Marta e Haddad pretendem se atacar no programa da Rede Globo

O GLOBO

Candidatos à prefeitura se encontram no último debate do 1º turno nesta quinta-feira - Pedro Kirilos / Agência O Globo


Última aparição dos candidatos na televisão antes da eleição, o debate da Rede Globo, nesta quinta-feira, às 22h15m, será palco de confronto entre Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) — os três em busca de uma vaga no segundo turno da disputa pela prefeitura de São Paulo. Líder nas pesquisas, João Doria (PSDB) deve evitar o confronto e ser poupado dos embates porque, na avaliação dos adversários, não há mais condições de tirá-lo da disputa.

Haddad pretende partir para o ataque contra Marta e Russomanno, com quem disputa o voto dos eleitores da periferia. O petista manterá a estratégia de nacionalizar a disputa e associar os rivais ao governo Michel Temer.

O prefeito tentará ainda ligar Marta à impopular gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), presidente do partido do vice de sua chapa. Pesquisas internas do petista indicam que o fato era desconhecido do eleitor e prejudica a candidata do PMDB.

Diante da confusão dos eleitores sobre o atual partido de Marta, Haddad quer repetir a tática de mostrar que a candidata, ex-petista, mudou de lado. Citará medidas impopulares defendidas por Temer, como a reforma da Previdência e o teto para gastos públicos. Haddad deve contar com a cooperação indireta de Luiza Erundina (PSOL), que atacará todos, menos o prefeito.

Já a equipe de Marta quer apostar na comparação entre os resultados da gestão dela e do governo Haddad para tirar votos do atual prefeito. A candidata tenta estancar a queda provocada pela associação entre seu nome e a gestão Temer e precisa tornar conhecido seu número na urna.

Marta ainda será alvo de Russomanno, que mudará de estratégia e prepara uma investida contra ela, com quem avalia ter mais votos a disputar. Seria uma forma de reagir à peemedebista, que o acusa de não ter honrado dívidas trabalhista num bar em Brasília do qual era um dos sócios.


Governo Temer suspende repasse a blogs pró-PT


O GLOBO

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O repasse de recursos do governo federal a sites e blogs pró-governo de Dilma Rousseff e pró-PT foi zerado desde junho com a chegada de Michel Temer à Presidência.

Levantamento da Folha na Secretaria de Comunicação da Presidência e em quatro estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES) identificou poucos pagamentos em junho, como resíduos de maio.

Desde então, nenhum dos 13 sites listados pela reportagem recebeu dinheiro, segundo a Secom e as estatais.

Após o afastamento de Dilma da Presidência, em 12 de maio, Temer ordenou um pente-fino na publicidade.

Afirmou que "o dinheiro destinado à publicidade não deve financiar opinião, mas sim produtos jornalísticos de interesse público".

De janeiro a dezembro de 2015, o conjunto desses sites e blogs havia recebido das mesmas fontes R$ 5,1 milhões. Entre janeiro e junho de 2016, o valor foi de R$ 1,54 milhão. Após esse período, nada foi liberado.

Na lista estão o Blog do Luís Nassif (R$ 746 mil), o Brasil 247 (R$ 732 mil), o Diário do Centro do Mundo (R$ 194 mil) e o Conversa Afiada (R$ 333 mil), do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Os valores totais podem ser maiores, pois a Petrobras e a Caixa não forneceram os números divididos por recebedor, apenas o total.

O Banco do Brasil, por exemplo, pagou R$ 500 mil ao Blog do Nassif em 2015 e R$ 113 mil de janeiro a maio deste ano. Para o Brasil 247, foram R$ 491 mil no ano passado e mais R$ 120 mil nos cinco primeiros meses de 2016. O Conversa Afiada recebeu R$ 199 mil em 2015 e R$ 44 mil neste ano.

Desde maio, o BB não fez mais pagamentos. O banco diz que adota o critério de "cobertura, penetração e afinidade dos veículos". A Caixa declara que, desde junho, "não tem investimentos" nesses veículos. O mesmo foi dito pela Petrobras.

A Secretaria de Comunicação diz que repassou, entre janeiro de 2015 e maio de 2016, R$ 870 mil ao grupo.

Os mais bem pagos foram Blog do Nassif (R$ 132 mil), Brasil 247 (R$ 120 mil), Diário do Centro do Mundo (R$ 129 mil), Portal Fórum (R$ 109 mil), Conversa Afiada (R$ 88 mil) e O Cafezinho (R$ 39 mil).

"A partir de maio de 2016 não foram mais programadas veiculações nos veículos citados. Eventuais pagamentos realizados após essa data são referentes às veiculações anteriormente autorizadas", disse a Presidência.

O BNDES afirma que não há previsão de repasses a esses sites em 2016. Juntos, eles receberam R$ 504 mil em 2015 em razão da campanha "BNDES Transparente".

A verba foi distribuída também para 32 jornais, incluindo Folha, "O Globo" e "O Estado de S. Paulo".

FHC e Aécio e José Aníbal reforçam campanha de João Doria a cinco dias das eleições


Folha.com 

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A cinco dias das eleições, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, João Doria, exibiu em sua campanha na TV declarações de apoio dos principais integrantes da cúpula de seu partido, como o senador Aécio Neves (MG), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

As falas têm forte efeito simbólico para a campanha do tucano, que por meses conviveu com a divisão nas bases do partido em São Paulo e a desconfiança dos principais nomes do PSDB nacional. Doria foi alçado candidato com o apoio exclusivo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. É ele, por sinal, quem encerra a peça publicitária do tucano, falando após todos os caciques e desejando "boa sorte" ao afilhado político.

Além de Aécio e FHC, aparecem na peça os senadores Aloysio Nunes e José Aníbal, ambos eleitos por São Paulo. Em entrevista à Folha, publicada na última segunda (26), FHC havia adiantado que declararia apoio ao candidato do PSDB, mas sem citar o nome de Doria.

Na publicidade, o ex-presidente é mais explícito. "Apoiei pelo Brasil afora os candidatos do PSDB. Na minha cidade, que é São Paulo, da mesma maneira. Eu vou votar no João Doria", diz FHC.

Aécio, que disputa internamente com Alckmin a vaga de presidenciável do PSDB em 2018, chega a dizer que "a eleição de João Doria é fundamental não só para São Paulo, mas para todo o Brasil". "Ele significa a renovação correta da política brasileira", afirma.

Na entrevista à Folha, FHC disse que sua declaração de apoio a Doria não deveria ser transformada em um "case" porque não é "militante da eleição municipal".


Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo viram réus no STF


GABRIEL MASCARENHAS - FOLHA.COM

Gleisi Hoffmann. Dilma e Paulo Bernardo 


A segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) acolheu nesta terça-feira a denúncia contra a senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo. Com isso, o casal se tornou réu em uma ação penal na corte.

Votaram em favor do acolhimento da denúncia os cinco ministros do colegiado: Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello.

A acusação é que a campanha de Gleisi ao Senado, em 2010, teria recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção da Petrobras. Os repasses, de acordo com a investigação, foram solicitados por Paulo Bernardo.

Eles foram denunciados pela PGR (Procuradoria-geral da República) em maio deste ano.

Gleisi é uma das principais lideranças do PT no Senado. Ela foi chefe da Casa Civil no governo da ex-presidente Dilma Rousseff entre junho de 2011, quando Antonio Palocci deixou o cargo, e fevereiro de 2014. Deixou o posto para concorrer ao governo do Paraná e ficou em 3º lugar na disputa.

Já o marido ocupou cargos importantes da Esplanada durante a gestão de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Comandou o Ministério do Planejamento entre 2005 e 2011, quando assumiu a pasta da Comunicações, onde permaneceu até 2015.


"Um método revelado", artigo de Merval Pereira


O GLOBO

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À medida em que vai sendo revelado pela Operação Lava Jato o esquema de financiamento do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, com a prisão de dois dos ministros da Fazenda de raiz do petismo, Guido Mantega e Antonio Palloci – Joaquim Levy foi um equivocado estranho no ninho que, para sua própria felicidade, não passará de um pé de página na história desse período -, vai chegando também ao limite mais baixo a sua capacidade de atuação eleitoral, o que vem sendo explicitado pelas pesquisas de opinião para as eleições municipais, cujo primeiro turno se realiza no próximo domingo.

No Rio, a candidata do PC do B Jandira Feghalli, que tinha a aspiração de ser o voto útil da esquerda, parece ter tomado uma decisão equivocada ao chamar para seu palanque a ex-presidente Dilma e, subsidiariamente, o ex-presidente Lula. Sua ascensão foi subitamente estancada com esse movimento, dando passagem a uma possível união do centro-direita em torno do candidato oficial Pedro Paulo.

A ligeira subida deste também revela um provável erro de estratégia de sua campanha, que tirou de cena o prefeito Eduardo Paes, por conta de algumas gafes e polêmicas provocadas por declarações infelizes, mas não levou em conta que sua administração tem uma avaliação de bom e ótimo que pode compensar as deficiências do candidato oficial, ainda vulnerável à acusação de ter surrado sua ex-mulher mesmo depois de absolvido pelo Supremo Tribunal Federal.

Resultado de imagem para alckmin doriaEm São Paulo, o petismo atinge até mesmo quem fugiu dele, como a ex-prefeita Marta Suplicy, que teve uma queda constatada nessa recente pesquisa do Ibope quando parecia que superaria Celso Russomano para disputar o segundo turno contra João Dória, o candidato tucano do governador Geraldo Alckmin. O prefeito petista Fernando Haddad, que recebeu o suposto reforço do ex-presidente Lula nos últimos dias de campanha, não demonstra fôlego para ir ao segundo turno.

Em comum nos dois principais estados do país há o fato de que candidatos da Igreja Universal estão bem colocados para a disputa do segundo turno, o que representa um perigoso e indesejável envolvimento de uma seita religiosa com um projeto de poder político.

Justamente porque seu projeto político de poder permanente está sendo desvendado pela Operação Lava Jato, o PT se defronta com uma previsível debacle nessas eleições municipais.

A prisão de Antonio Palloci tem uma gravidade política muito maior que a de Guido Mantega na semana passada, mas as duas em sequência denotam que o esquema de financiamento político para a permanência no poder tinha um método, a ponto de Palloci ter sucedido a Celso Daniel, que seria o homem forte da candidatura Lula em 2002 não tivesse sido assassinado, e Mantega sucedeu a Palloci na continuação da montagem do esquema de financiamento político.

Não é à toa, portanto, que o caso Celso Daniel voltou à tona durante a Operação Lava Jato, já que está ligado a um empréstimo fraudulento do Banco Sachin para o pagamento de uma chantagem a que Lula e outros dirigentes do partido estavam sendo submetidos.

A família de Celso Daniel afirma que o ex-prefeito de Santo André foi morto porque descobriu o que depois ficou claro nas investigações do petrolão: o esquema de corrupção montado para viabilizar a chegada ao governo central, desde quando o PT chegou ao poder em alguns municípios, estava sendo desvirtuado para o enriquecimento de alguns “companheiros”.

Por essa teoria, Celso Daniel considerava que a causa final justificava os desvios, mas não aceitava o enriquecimento pessoal, que acabou sendo revelado em relação aos dirigentes petistas originais, como José Dirceu e o próprio Palloci, que foi prefeito de Ribeirão Preto.

O envolvimento no esquema de corrupção de três tesoureiros do partido e mais dois ministros da Fazenda e dois chefes do Gabinete Civil mostra bem como a escala de liderança do PT passava pelos mesmos postos, sem nenhuma improvisação.

Tanto que a ex-presidente Dilma assumiu o comando, e a sucessão de Lula, ao chegar ao Gabinete Civil e à presidência do Conselho de Administração da Petrobras, fonte de investigações sobre desvios de dinheiro que atingem igualmente Palloci e Mantega e se aproximam de Dilma.

Entrevista do Geraldo Alckmin à Folha Metropolitana


Eurico Cruz e Vicente de Aquino - Folha Metropolitana


Nascido em Pindamonhangaba, Geraldo Alckmin (PSDB) já acumula quatro mandatos à frente de um dos Estados mais importantes do País. Na última quarta-feira, 21, convidou a reportagem para uma entrevista no Palácio Bandeirantes.

Entre os principais focos da atual gestão está a geração de empregos. Além das vagas criadas com a criação de novas linhas e da extensão de outras do Metrô e da Companhia Palista de Trens Metropolitanos (CPTM), conforme foi publicado na edição da Folha Metropolitana do dia 22 de setembro, Alckmin ressaltou que o Rodoanel também faz com que a roda da economia continue a girar e a empregar mais pessoas.

Além da mobilidade, habitação e mesmo a recuperação da Mata Nativa da cidade, feita pelo Programa Nascentes, também fazem parte do esforço do Governo do Estado para investir no crescimento da cidade e gerar mais postos de trabalho em um momento que o Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados. Mesmo programas de combate a dengue colaboram para a economia geral.

Sobre o fantasma da crise hídrica, o governador garantiu que o Estado será o mais resilente contra as mudanças climáticas.

*

Folha Metropolitana – São Paulo ainda corre risco de sofrer uma crise hídrica?
Geraldo Alckmin – São Paulo será o Estado mais preparado para as mudanças climáticas. Nós estamos aumentando a capacidade de reserva, então quando chove demais você guarda e quando fizer seca demais você terá reserva. E estamos diversificando. Nós estávamos muito dependentes do Cantareira, que respondia por 40% do abastecimento da Região Metropolitana. Ele é um ótimo reservatório da década de 1960, mas ele é pequeno. Esse verão teremos de abrir a comporta. Ele enche rápido, mas esvazia rápido. Ainda tem Campinas que depende do Cantareira, são 27 milhões de pessoas. Então com o Rio São Lourenço você traz água nova para 2,5 milhões de pessoas e o Paraíba socorre o Cantareira porque você interliga bacias. Nunca existe essa certeza de solução, mas o chamado prazo de recorrência é altíssimo, São Paulo terá o maior sistema de resilência do Brasil.

Como funciona a lei sancionada este mês que pune empresas que vendem produtos frutos de roubo?
A maneira mais eficiente de combater o roubo de carga é combatendo o receptador. Se você não tiver quem venda não adianta roubar carga. Nós fizemos uma lei porque muitas vezes a pessoa dizia que não estava sabendo que o produto era roubado. A lei vai ser um marco, se você pegar a empresa vendendo produto roubado ela vai responder, vai ter direito de defesa, mas pode chegar até a cassação da escritura estadual da empresa.

Quando as vacinas para dengue vão ser liberadas?
Nós estamos na última fase, fase três, de testes clínicos. Vamos testar nas cinco regiões do Brasil, de Boa Vista, em Roraima, até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A vacina é tetravalente, ela é contra os quatro tipos de vírus da dengue. Para pegar os quatro tipo de vírus tem de estar no Brasil inteiro, em São Paulo só há dois tipos, 1 e 2. Se tudo der certo teremos 17 mil pessoas vacinadas, tudo controlado, inclusive por órgãos internacionais. A fábrica, do Butantan, fica pronta até o final do ano.

Como está o andamento do programa de recuperação da Mata Nativa no Estado?
Nós já plantamos mais de um milhão de mudas nativas sem gastar nenhum centavo. Tudo feito nas penitenciárias. Todas as mudas são os presos que fazem. Temos 23 penitenciárias que disputam entre si. O preso gosta porque cada três dias de trabalho reduz um dia de pena. Não são só áreas do governo, tem que recompor a mata ciliar. Quem vai pagar? Quem tem compensação ambiental. Alguém que fez um shopping center, concessionária de rodovias. O empresário tem de fazer a compensação ambiental e precisa ter terra, então ele planta lá e mantém. Você dá emprego aos trabalhadores pelas cooperativas, as ONGs fazem os projetos, o dono da terra cumpre a lei, quem tem compensação ambiental tem o lugar para investir. Além disso, estamos reformando todas as escolas com os presos. Nós temos 232 mil presos. O Estado tem 22% da população brasileira e 38% de toda a população carcerária, por isso que caiu o homicídio em São Paulo, porque se tira o criminoso da rua.

Na questão da moradia, quantas Parcerias Público Privada estão em andamento? 
Nós temos duas PPPs. Uma em execução que é a chamada PPP do Centro Expandido, que tem o intuito de trazer de volta as pessoas para morarem no Centro de São Paulo. Tem toda a infraestrutura e não tem as pessoas morando. Chega de noite, fica a esmo e prejudica a segurança. Então, em novembro nós vamos entregar os primeiros dois prédios na Rua São Caetano, ali na Luz. Já está pronto e começaremos nas próximas semanas mil e duzentos apartamentos, mais comércio, onde era a rodoviária de São Paulo, em frente à Estação da Luz.

A outra em andamento é a da Fazenda Albor?
Sim. A Albor nós vamos licitar, a esquina da Dutra com o Rodoanel, pega Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba pode dar mais de oito mil unidades habitacionais e o principal: emprego. Você vai ter empresas de logística, comércio, pode ter indústria, não é só casa, é uma cidadezinha, isto está já na fase de audiência pública, talvez os próximos dois três meses publicamos o edital.

Existe satisfação com o desempenho de Doria nesta campanha à Prefeitura?
Acho que ele tem chance, está fazendo uma boa campanha, muito propositiva, acho que São Paulo pode dar um salto de qualidade em termos de gestão, recuperar a cidade, voltar a ser uma terra de oportunidades, de emprego, renda. Nenhuma eleição é fácil, mas acho que ele tem boas chances de ir para o segundo turno e, se for, ganha eleição, porque segundo turno é rejeição e ele tem a menor rejeição de todos.

Preso na Lava Jato teve papel central na gestão Marta Suplicy


Braço-direito do ex-ministro Antonio Palocci, Branislav Kontic era assessor especial na prefeitura de São Paulo e foi sócio de Luis Favre, ex-marido dela

Felipe Frazão e Laryssa Borges - Veja.com

 
Marta e Branislav Kontic 

O ASSESSOR - Braço-direito do ex-ministro Antonio Palocci, o sociólogo Branislav Kontic desempenhou papel central na gestão Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo (Reprodução/VEJA)

Preso na 35ª fase da Operação Lava Jato, o sociólogo Branislav Kontic, braço-direito do ex-ministro Antonio Palocci, foi um dos principais assessores da senadora Marta Suplicy (PMDB) na prefeitura de São Paulo (2001-2004). Brani, como é chamado, foi assessor especial do gabinete da então prefeita, à época no PT, novamente candidata nas eleições deste ano.

Ele foi preso temporariamente nesta segunda-feira pela Polícia Federal, assim como Palocci, e teve ordem para ter os bens bloqueados e o imóvel alvo de busca e apreensão.

Brani desempenhou papel central nos bastidores da gestão Marta Suplicy. Chegou a chefiar o gabinete pessoal de Marta na prefeitura e teve cargos de confiança na direção de órgãos como a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), atualmente SP Urbanismo, e a Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo).

Era o assessor indicado por Marta para desenvolver projetos como modernização tributária e de alienação de patrimônio (imóveis), bem como o acompanhamento de metas orçamentárias e a execução de melhorias urbanas de infraestrutura nos bairros. Ele coordenou o Programa de Desenvolvimento Econômico da Zona Leste e decidia, em uma comissão, as empresas que receberiam incentivos fiscais dados pela prefeitura para instalação em uma das regiões mais carentes da cidade. Fazia viagens frequentes a Brasília “para coleta de dados e informações” de interesse do gabinete da prefeita Marta.

Ele foi casado com uma irmã da senadora, Irene Cristina, que morreu em 2000, durante a campanha eleitoral. Além disso, Brani foi sócio, até 2011, do ex-marido de Marta Luis Favre, publicitário franco-argentino que militou no PT, radicou-se no Peru e atuou este ano como assessor político da campanha de Cesar Acuña, do partido Aliança para o Progresso (APP) para a presidência do país andino. Brani e Favre eram sócios na Epoke Consultoria Política, cujo nome atual é Epoke Consultoria em Mídia. A empresa teve como sede declarada um endereço de Marta, que se separou de Favre em 2009.

Marta diz que nunca teve “nunca teve nenhuma relação” com a Epoke e que não mora mais no imóvel onde a empresa funcionou. “Marta também não teve nenhuma relação empresarial com Kontic nem com seu ex-marido”, disse sua assessoria em nota a VEJA. A equipe da candidata afirmou que “Marta reitera seu apoio às investigações conduzidas no âmbito da Operação Lava-Jato” e que “todos devem ser investigados, independentemente de quem sejam”.

Brani também foi chefe de gabinete de Palocci na Câmara dos Deputados, atuou na empresa de consultoria do ex-ministro, a Projeto, e o assessorou na Casa Civil da Presidência da República.

Atualmente, ele é o único dono da Anagrama Consultoria e Assessoria, cujo capital social é de 79.000 reais. Ele constituiu a empresa em 1997, um ano depois de falir com a Duko Industria Têxtil, então sediada em Guarulhos (SP), da qual era sócio ao lado de familiares. Também foi secretário de Desenvolvimento Urbano de Guarulhos na administração do petista Elói Pietá, logo depois de sair da gestão Marta.

Espécie de faz-tudo de Palocci, cabia a ele, segundo investigadores, conversar cotidianamente com o empresário Marcelo Odebrecht para que interesses do grupo fossem satisfeitos pelo governo. E, claro, para que os repasses de propina do príncipe dos empreiteiros estivesse sempre em dia.

Em mensagem trocada em março de 2010, por exemplo, Odebrecht discute com Brani a edição de uma medida provisória específica para que o Grupo Odebrecht fosse beneficiado com incentivos fiscais. Disse o empreiteiro: “Brani, Tudo bem? Diga ao chefe que a única maneira de evitar as ida e vindas e acabarmos perdendo o prazo para uso do PFiscal é realmente uma MP específica. Pagaríamos o saldo com PF durante a vigência da MP, e depois não importa as emendas, a MP poderia caducar. (…) Obrigado e abraços. Marcelo”. O chefe a que o empreiteiro se refere é o ex-ministro Antonio Palocci.

De acordo com investigadores do petrolão, um sem-número de mensagens trocadas por Brani ou com menção a ele mostra como ele tinha detalhes e participava ativamente do esquema que envolve Palocci. Entre os dias 2 e 3 de maio de 2009, Marcelo Odebrecht informa, por exemplo, que iria recorrer a Brani para tentar agendar uma reunião com o “Italiano”, codinome utilizado pela empreiteira para se referir ao então ministro petista. Na mensagem de Marcelo ao então diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, o empresário questiona: “Vc marcou alguma coisa com o Italiano na 2ª? Se não, vou ligar para Brani hoje para tentar marcar.” Em agosto de 2009, nova mensagem de Odebrecht evidencia o papel do faz-tudo de Palocci: “Veja com Brani que horas posso me encontrar amanhã com o Palocci (qq horário – eh prioridade)”.