Alckmin lidera pesquisa para presidente entre eleitores paulistas


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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparece à frente na disputa eleitoral para a Presidência da República com 23,7% das intenções de voto, seguido de Jair Bolsonaro (19,9%), Lula (19,4%), Marina Silva (9,6%), Ciro Gomes (4,6%), Álvaro Dias (3%), Henrique Meirelles (1%), João Amôedo (0,4%) e Manuela D’Ávila (0,4%).

Os dados são da pesquisa do Instituto Paraná divulgada nesta segunda-feira (11).


Aprovação de Michel Temer

Ao serem questionados sobre a administração de Michel Temer, apenas 7,2% dos entrevistados classificou como “ótima/boa”, 20,3% classificaram como “regular”, e 71,5% classificaram como “ruim/péssima”.

Sobre a aprovação ou desaprovação ao Governo do peemedebista, 14,4% aprovam, 82% desaprovam e 3,5% não sabem ou não opinaram.


Dados da pesquisa

O universo desta pesquisa abrange os eleitores do Estado de São Paulo. Para a realização desta pesquisa foi utilizada uma amostra de 2.016 eleitores, sendo esta estratificada segundo sexo, faixa etária, grau de escolaridade, nível econômico e posição geográfica.

O trabalho de levantamento de dados foi feito através de entrevistas pessoais com eleitores com 16 anos ou mais em 76 municípios durante os dias 05 a 09 de dezembro de 2017, sendo checadas simultaneamente à sua realização em 20,0% das entrevistas.

Para a seleção da amostra utilizou-se o método de amostragem estratificada proporcional. Conforme o mapeamento do Estado em 15 mesorregiões homogêneas segundo o IBGE, considerou-se esta divisão geográfica como primeira estratificação. Dentro de cada mesorregião, agruparam-se os municípios em grupos homogêneos, procedendo-se à estratificação proporcional final da amostra. A Paraná Pesquisas encontra-se registrada no Conselho Regional de Estatística da 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª e 7ª Região sob o nº 3122/17.

Tal amostra representativa do Estado de São Paulo atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,0% para os resultados gerais, nas análises das questões por localidade o grau de confiança atinge 95,0% para uma margem estimada de erro no estrato “Demais Mesorregiões do Estado” de aproximadamente 3,0% e na Mesorregião Metropolitana de São de aproximadamente 3,0%.

Governador Geraldo Alckmin toma café da manhã com diplomatas de 45 países


Radar - Veja.com

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, intensifica a internacionalização do seu nome.

Nesta terça, 12, ele recebe 80 diplomatas de 45 países para um café da manhã no Palácio dos Bandeirantes.

Vai apresentar o novo modelo de concessão de rodovias, adaptado recentemente para o atendimento do padrão estrangeiro, assim como a chancela técnica do International Finance Corporation.

O selo dá maior segurança para aplicação de recursos nos programas estaduais.

Agenda do governador Geraldo Alckmin 12/12 - São Paulo/SP

AGENDA DO GOVERNADOR


Evento: Assinatura do Decreto de Regulamentação do Sistema Estadual de Emergências no Estado de São Paulo - “ Bombeiro Voluntário “ 
Data: Terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Horário: 12h30
Local: Av. Morumbi, nº 4500 – 2º andar -  Morumbi - São Paulo -SP

Campanha de Haddad pagou R$ 20 milhões em caixa dois a marqueteiros


Casal de marqueteiros do PT prestou depoimento na Polícia Federal, em São Paulo, no âmbito de inquérito que investiga o financiamento do ex-prefeito, em 2012

João Santana e Fernando Haddad (PT)

Os marqueteiros das campanhas petistas João Santana e Mônica Moura voltaram a relatar à Polícia Federal que receberam R$ 20 milhões e caixa dois pela campanha do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), em 2012. Eles prestaram depoimento na Superintendência da PF, no bairro da lapa, Zona Oeste de São Paulo.

Mônica afirmou, em acordo de delação premiada, que a campanha do petista custou ao todo R$ 50 milhões, dos quais R$ 30 milhões foram pagos de forma oficial pelo PT e R$ 20 milhões por meio de caixa 2. à PF, em São Paulo, ela reiterou a versão.

Segundo ela, a parte não contabilizada deveria ter sido paga pelo PT (R$ 5 milhões) e pela Odebrecht (R$ 15 milhões).

A empresária disse que a empreiteira pagou sua parte, mas o PT não. A dívida do partido, então, teria sido paga pelo empresário Eike Batista, a pedido do ex-presidente Lula.

O pagamento no exterior teria sido acertado diretamente com o executivo Flávio Godinho, homem de confiança de Eike. Fez-se então um contrato de trabalho de três páginas, “bem simplesinho”, segundo Mônica.

“Essa história é engraçada. Esse trabalho existiu, no fim das contas, porque o João fez um trabalho primoroso de pesquisa e contextualização de uma empresa que o Eike queria montar na Venezuela, em Angola, ligada a petróleo e energia”, detalhou Mônica.

A empresária disse não ter a “menor noção” de qual tipo de negócio que Eike poderia ter que o interessasse a pagar a dívida de uma campanha de Haddad.

“Na verdade, ele nem sabia que estava pagando a campanha do Haddad, ele estava pagando uma dívida do PT. Eu imagino hoje, lendo tudo que eu leio. Ele estava pagando uma dívida do PT”, afirmou a mulher de João Santana.

Geraldo Alckmin é eleito presidente nacional do PSDB


Em convenção nacional, governador de São Paulo foi eleito para comandar o PSDB; ato em Brasília se transformou em forte apelo por mudanças na Previdência


Anne Warth, Daiene Cardoso, Felipe Frazão e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, eleito presidente do PSDB neste sábado, em Brasília, fez críticas enfáticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT, defendeu a reforma da Previdência e acenou ao governo Michel Temer. Alçado para conduzir a sigla após uma crise em torno da sucessão de Aécio Neves (MG) e da permanência na base aliada do peemedebista, Alckmin aproveitou a convenção nacional tucana para apresentar um discurso de candidato ao Palácio do Planalto na eleição de 2018.

Último a discursar no evento, Alckmin culpou Lula pela crise e afirmou que o petista "será condenado nas urnas pela maior recessão de nossa história". "O governo Temer herdou uma situação calamitosa e está trabalhando para sair desse quadro", afirmou. "O atual governo começou a reverter a tragédia econômica em que o País foi colocado."

O novo presidente do PSDB disse ser favorável à agenda de reformas, com destaque para a já aprovada reforma trabalhista e a da Previdência, atualmente em discussão no Congresso. A mudança nas regras da aposentadoria, segundo ele, é necessária para não existir "brasileiros de duas classes". No discurso, porém, ele classificou como a "mãe" de todas as reformas a política.

Com suas declarações, Alckmin enviou, no momento em que o PSDB deixa a Esplanada dos Ministérios, sinais ao PMDB. Para a próxima eleição, Temer busca um candidato de centro, como o Estado adiantou na edição do dia 3 deste mês, capaz de abraçar a defesa de seu legado econômico, como a queda de juros, a redução do desemprego e a aprovação das reformas estruturantes. 

O governador falou mais como pré-candidato à Presidência do que como recém-eleito presidente nacional do PSDB. Ele responsabilizou ainda Lula pela sequência de erros das gestões petistas. "Foram 15 milhões de empregos perdidos, milhares de empresas fechadas, sonhos desfeitos, negócios falidos", afirmou. "As urnas os condenarão pelo desgoverno, pelo desmonte da Petrobrás e pelas obras inacabadas."

Alckmin disse que a ilusão do PT "acabou em pesadelo". "O Brasil vive uma ressaca, descobriu que a ilha da fantasia petista não foi terra prometida", disse. O governador afirmou ainda que o País está "vacinado contra o modelo lulopetista de iludir para reinar". Para o tucano, enfrentar Lula será "um bom tira-teima".

O tema da segurança pública - uma bandeira de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula - também foi destaque na fala de Alckmin. Atento ao eleitorado do deputado oriundo do Exército e de extrema-direita, ele destacou sua gestão em São Paulo para contrapor seu discurso. "Nós nunca nos furtamos a fornecer soluções. É o caso do descalabro da criminalidade. Propusemos a criação de uma agenda nacional para combater o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e de armas."

Urna x cadeia. Escolhido para anteceder a fala de Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também se posicionou sobre Lula. Disse que já o venceu por duas vezes, em 1994 e 1998, e afirmou que o PSDB pode derrotá-lo novamente. "Prefiro combatê-lo na urna do que vê-lo na cadeia", disse. O petista é alvo de nove processos e já foi condenado no caso do triplex do Guarujá a 9 anos e 6 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro.

Coube ainda a FHC fazer o "discurso para dentro". Foi ele, e não Alckmin, que admitiu erros de seu partido. "Sei que muita coisa foi errada, mas temos forças suficientes para reconstruir o PSDB", afirmou. Condição que, segundo ele, requer estratégia, contato com o povo e humildade - para o ex-presidente, características presentes no novo presidente da sigla. "Alckmin é simples, nunca mudou. Precisamos de gente assim."

Em um breve discurso, o prefeito de São Paulo, João Doria, pregou a unidade do partido e declarou apoio entusiasmado a Alckmin na disputa pelo Planalto - padrinho e afilhado disputaram veladamente a indicação para o Planalto em 2018. "Quero dar o meu apoio incondicional a Alckmin para a presidência do PSDB e do Brasil", afirmou. "Peço a todos que aplaudam o futuro presidente do Brasil, Geraldo Alckmin."

A convenção. Com 470 votos, o PSDB elegeu a chapa Unidade para o Diretório Nacional. Foram registrados três votos contrários e uma abstenção. A chapa tem como primeiro-vice-presidente o governador de Goiás, Marconi Perillo, que assim como o senador Tasso Jereissati (CE), retirou sua candidatura a presidente da legenda para unificar o partido. O segundo-vice-presidente é o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP).

Também são vice-presidentes os senadores Paulo Bauer (SC) e Flexa Ribeiro (PA), o governador do Paraná, Beto Richa, os deputados federais Shéridan Oliveira (RR) e Carlos Sampaio (SP), e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. O secretário-geral será o deputado Marcus Pestana (MG). 

A Executiva Nacional será composta pelos senadores Eduardo Amorim (SE) e Cássio Cunha Lima (PB); os prefeitos de São Paulo, João Doria, de Porto Alegre, Nelson Marchezan, de Teresina, Firmino Filho, e de Manaus, Arthur Virgílio; os deputados federais Giuseppe Vecci (GO), Rogério Marinho (RN) e Bruno Araújo (PE); e o governador Pedro Taques (MT). Também farão parte da Executiva os líderes do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), e na Câmara, Ricardo Tripoli (SP). 

Seis partidos participaram da convenção: PSD, PSC, PR, PSB, PTB e PPS.

Discurso de Geraldo Alckmin na 14ª convenção nacional do PSDB


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“Companheiras e companheiros, quero saudar o Alberto Goldman nosso presidente, Fernando Henrique, nosso Arthur Virgílio. Quero dizer da legitimidade, Arthur, da sua pré-candidatura, que honra o nosso partido, da sua história de vida, um dos melhores senadores e prefeitos do nosso país. Quero saudar o Marconi, o Serra, João Doria, Silvinho, governador Beto Richa, saudando nossos governadores. Queridíssimo Tasso Jereissati. Montoro dizia: “o futuro começa hoje e ele se chama juventude". Quero saudar a juventude do partido, o PSDB diversidade e as mulheres. Quero agradecer aos outros partidos que nos honram com suas presenças. O PPS, PSD, PSC, PR, PSB, PTB, mas em especial saudar a nossa militância. Estou honrado pela confiança para presidir a nossa social-democracia brasileira. Quero fazer uma saudação especial a um estadista que é o presidente Fernando Henrique. O presidente mudou para sempre as bases da economia brasileira e será sobre ela que nosso partido vai trabalhar. Quero agradecer a generosidade de dois grandes líderes, o senador Tasso Jereissati e o meu colega Marconi Perillo. São esteios do nosso partido. Agradeço ao governador Goldman por esse período de transição. Agradeço ao José Aníbal que comandou com maestria nosso ITV (Instituto Teotônio Vilela).

Assista ao vídeo com a íntegra do discurso de Geraldo Alckmin

O trabalho iniciado pelo PSDB é uma obra inacabada. Temos compromisso com as reformas e princípios que vão dar condições para que o Brasil volte a crescer. Nós sabemos como chegar lá porque acreditamos em políticas públicas perenes e não em bravatas, marketing. O PSDB é um instrumento da modernização do Brasil que nós queremos, inserido na economia internacional, o Brasil desburocratizado, de uma agenda competitiva. Estamos posicionados para uma agenda moderna, do século 21, vamos perseguir a inovação, de forma obsessiva. O conhecimento e a imaginação guiando o futuro a passos largos.

Já passou a hora de tirar o peso desse estado ineficiente das costas dos trabalhadores e empreendedores. Defendemos reformas que quebrem privilégios e beneficiem o conjunto da população. Vamos, sim, trabalhar pelas reformas. A mãe das reformas, a reforma política. Nosso modelo político se exauriu. Aprendi na medicina: suprima a causa que o efeito cessa. Essa é a maior de todas as reformas.

A reforma da Previdência necessária para não termos brasileiros de duas classes, mas um regime geral de previdência social. A reforma tributária é a reforma da justiça. O Brasil não é apenas um país desigual. É profundamente injusto. A reforma tributária vai fazer mais justiça. A reforma trabalhista, que o PSDB gestou, através de um grande parlamentar que é o nosso Rogério Marinho, modernizando as relações de trabalho. Defendemos a volta dos investimentos por meio de um grande salto qualitativo do ambiente de negócios com uma política fiscal dura. Aliás, foi um governo do PSDB do presidente FH que instituiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, que nós praticamos com Mário Covas, nosso professor. Ele nos diz que é possível conciliar política e ética, honra e mudança. É através da responsabilidade fiscal que vamos poder investir nos hospitais, escolas, na segurança pública. Quero destacar a necessidade dos investimentos em logística num país das dimensões do Brasil. Defendemos no nosso PSDB as concessões, as PPPs, infraestrutura e emprego direto na veia. Saneamento básico e moradia para retomar o emprego e a renda.

Senador Serra, aqui, destacou as dificuldades da saúde. Se nós fizermos uma pesquisa do Oiapoque ao Chuí vamos ter o clamor do povo pela dificuldade de acesso à saúde. Governar é escolher. Sempre o dinheiro é curto, mas não vamos nos descuidar daquilo que interessa ao povo. A obra-prima do estado é a felicidade das pessoas. Vamos suar a camisa para avançar. Quero destacar, além da saúde, a necessidade de novas tecnologias para que a gente possa ter mais prosperidade, educação de qualidade. O bom casamento entre o técnico e o tecnológico. Fazer o casamento do mercado de trabalho com a formação profissional. Enfim, um Brasil crescendo a pleno vapor com mais emprego e diminuindo desigualdade. Temos a competência para ajudar o Brasil, o dever de unir o Brasil, os caminhos para devolver o Brasil aos brasileiros.

O Brasil vive uma ressaca, descobriu que a ilha da fantasia petista nunca foi a terra prometida. A ilusão petista acabou em pesadelo na maior crise econômica e ética a história do nosso país. Agora é hora de olhar para a frente com união e esperança renovada. Os brasileiros não são tolos e estão vacinados contra o modelo lulopetista de confundir para dividir, de iludir para reinar. Mas vejam a audácia dessa turma: depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder, ou seja, quer voltar à cena do crime. Será que os petistas merecem uma nova oportunidade? Fiquem certos de uma coisa: nós os derrotaremos nas urnas. Lula será condenado nas urnas pela maior recessão da nossa história. As urnas os condenarão pelos 15 milhões de empregos perdidos, milhares de empresas fechadas, sonhos desfeitos, negócios falidos. As urnas o condenarão pela frustração dos projetos de milhões de famílias levadas ao desespero, por ter sucateado a nossa saúde, atentado contra a saúde dos brasileiros. As urnas o condenarão pelo desgoverno, destruição da Petrobras, por obras inacabadas e abandonadas. As urnas o condenarão por incitar o maior conflito entre os poderes da história recente, por nos ter posto na vexatória posição de lanterna no cenário internacional. As urnas o condenarão por ter sequestrado a esperança da nossa juventude, por jogar brasileiros contra brasileiros para, no final, atirar pela janela a autoestima de todos nós. As urnas condenarão Lula por ter sido o grande responsável de uma década perdida.

Registrem-se os esforços do atual governo que, pouco a pouco, começa a reversão da tragédia econômica em que o país foi colocado. O PSDB reitera sua disposição no âmbito do Congresso na aprovação de reformas necessárias ao nosso país. Temos compromisso com nossa história, coerência das nossas atitudes.

Aliás, nós governadores, Beto Richa e colegas aqui presentes, prefeitos tucanos, como João Doria, nós nunca nos furtamos a fornecer soluções para problemas que extrapolam nossas fronteiras. É o caso do descalabro da criminalidade, aqui bem colocada pelo presidente FH. Uma tragédia que já transformou o Brasil em líder mundial de homicídios em números absolutos. São os nosso jovens que estão morrendo. Propusemos a criação de uma agência nacional de inteligência, integrando os órgãos federais mais as polícias estaduais para combater o crime organizado, principalmente o tráfico de drogas e armas. Esse banco de dados será unificado, acessível a todos os órgãos de segurança. O Brasil faz fronteira com dez países, uma das maiores fronteiras do mundo. É cinco vezes maior que a fronteira dos EUA com o México. São quase 17 mil quilômetros.

Todos cobram muita coerência, disciplina e paz dentro do nosso partido. Como se não fôssemos o PSDB, os famosos tucanos. Há quem duvide que possamos fazer uma campanha eleitoral à altura das expectativas. Pois bem, eu não concordo com esse diagnóstico. Prefiro ficar com a opinião de um militante tucano, dos mais brilhantes economistas brasileiros, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ele descreveu de forma exemplar o estilo, o “jeitão” do nosso PSDB. É uma grande escola de samba momentos antes do início do desfile, uma aparente desorganização e desencontro de seus membros. Parece que ninguém se entende. Soa o apito vigoroso e toda aquela multidão evolui organizada, entusiasmada. Quando chega a hora do desfile a bateria começa a tocar e toda aquela multidão cantando o hino da escola sai dançando na sequência certa na avenida. Aguardem o que vai acontecer conosco no ano que vem. Tocado o apito e iniciado o processo eleitoral, o Brasil vai presenciar nosso melhor desempenho, nosso bloco de forças formado por todos nós juntos unidos e partidos aliados. Vamos mudar esse país.

Amigos tucanos, cada um de nós carrega uma história de lutas na política. Eu optei por me afastar do exercício da medicina e atuar na vida pública, mas nunca desisti de cuidar de pessoas. É isso que tenho feito ao longo da minha vida. Ouvindo as demandas do povo, prestando contas cotidianamente, trabalhando dia e noite. Foi essa vida que escolhi e confesso que dela tenho orgulho. Como dizia meu pai, política é dedicação, coragem moral e vida pessoal modesta. Sigo esse mandamento com muito orgulho e saudade. Termino minha fala com uma citação de Santo Agostinho: a esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão. A coragem, a mudá-las. Pois bem, nossa indignação e coragem, juntas, vão mudar o Brasil. Dá-lhe, tucanos!”.


'O legado tucano em São Paulo', artigo de Floriano Pesaro



A eleição do saudoso Mario Covas (1930-2001) ao governo estadual, em 1994, iniciou a liderança do PSDB para o bem de todos os paulistas. Ele herdou um Estado com sérios problemas fiscais, baixíssima capacidade de investimento, obras paradas e políticas públicas em desmonte.

Diante desse desafio, não hesitou em fazer o que precisava ser feito e promoveu um responsável ajuste das contas públicas.

Em razão das dificuldades que todo ajuste causa, a disputa pela reeleição foi duríssima, e ele quase ficou de fora do segundo turno. A população reconheceu seu trabalho de saneamento das finanças e conferiu a Mario Covas uma vitória consagradora.

Dessa forma, não se permitiu descansar e deu continuidade a uma série de políticas públicas pioneiras, como os restaurantes Bom Prato, hoje com mais de 50 unidades, e o Poupatempo, referência em bom atendimento aos cidadãos em 71 unidades por todo o Estado.

Com o falecimento de Covas, Geraldo Alckmin assumiu o leme do Estado em 2001 e, com pulso firme e humildade características, deu continuidade ao legado de seu mentor e imprimiu a marca da estabilidade na política estadual.

Durante os seus outros três mandatos —de 2002 a 2006 e de 2010 até os nossos dias—, Alckmin deu impulso à construção e expansão de uma série de políticas públicas bem-sucedidas nas mais diversas áreas.

No interregno em que Alckmin deixou o governo para dar sua contribuição como candidato à Presidência da República, em 2006, São Paulo contou com a experiência e a competência de José Serra no comando do governo, imprimindo sua marca de boa gestão e inovação nas políticas.

Tal continuidade administrativa, aliada à experiência desses três grandes líderes, rendeu excelentes frutos para São Paulo.

Na segurança pública, Geraldo Alckmin segue com mão firme o combate à criminalidade. O Estado tem o menor nível de homicídios do país e abriga 10 dos 20 municípios mais seguros, com investimentos de mais de R$ 800 milhões.

Já na educação, está vencendo o desafio da qualidade, sendo o único Estado a ocupar o topo do ranking do Ideb nos três ciclos: primeiro lugar no ensino fundamental 1 e ensino médio e segundo lugar no ensino fundamental 2. Além disso, São Paulo tem mais matrículas em suas Etecs (182 mil) que as escolas técnicas de todo o restante do país.

Com relação à saúde, concluímos dezenas de hospitais e realizamos políticas com excelentes resultados na diminuição da gravidez na adolescência; no combate ao câncer com a Rede Hebe Camargo e a criação do Instituto do Câncer; e no atendimento à população nos Ambulatórios de Especialidades (AMEs) e na rede de reabilitação Lucy Montoro.

Além disso, foi implantada a Lei Antifumo (Lei 13.541/2009), que proibiu o fumo em locais fechados e melhorou a qualidade de vida de fumantes e não fumantes.

Para a área do desenvolvimento social, pela qual nutro especial carinho por estar no atual comando da pasta, as conquistas têm sido notáveis: além do Bom Prato, já citado, ampliamos o programa Vivaleite, com mais de 80 milhões de litros distribuídos, e criamos o Programa Recomeço, com mais de 15 mil internações associadas à reinserção social de dependentes químicos, buscando tratar a questão das drogas como grave problema de saúde pública e não apenas de segurança.

Como se vê, São Paulo hoje colhe importantes e significativos resultados da gestão tucana no Estado, constituindo um relevante exemplo em termos de implantação democrática de políticas e boa governança pública. Este é um legado que precisa ser mantido e ampliado, e este é o modelo que queremos ver replicado no Brasil.

*FLORIANO PESARO, 49, é deputado federal (PSDB) e secretário de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo

'Se Deus quiser, vai acontecer', diz Lu Alckmin sobre candidatura do marido à Presidência


Primeira-dama do Estado faz giro pelo interior paulista e afirma que o governador está pronto para assumir o Planalto

Adriana Ferraz - O Estado de S.Paulo

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Nas suas viagens pelo interior, a primeira-dama de São Paulo, Lu Alckmin, de 66 anos, afirma que vai atrás de histórias de vidas que se transformaram pelo trabalho. Amanhã, o marido vai assumir o comando do PSDB durante convenção nacional em Brasília e começará a trilhar sua candidatura ao Planalto.

Com a mesma cautela do governador, sua mulher diz que é hora de pensar no presente, não em um futuro que ainda não chegou, mas reconhece que essa hora está chegando. “Sei que o Geraldo está preparado, casei com ele quando ainda era vereador. Sei que ele pode, que é capacitado (para ser presidente), mas isso está nas mãos de Deus. Se Deus quiser, vai acontecer”, disse ela, nesta quinta-feira, 7, ao Estado.

Dona Lu – como é conhecida – afirmou que, assim como ela, “Geraldo é super pé no chão” e sabe que apenas a dedicação às pessoas pode levá-lo ao topo da carreira. “Ele sabe que vai ser por obra de Deus e pelo seu trabalho. Veja o que ele tem feito por São Paulo. Apesar de tudo, na comparação com outros Estados, São Paulo está bem.”

Presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado, a primeira-dama esteve ontem em três municípios – São Miguel Arcanjo, Capão Bonito e Buri – para inaugurar polos regionais das padarias, nome dado às sedes que funcionam como escolas para todo o entorno, ensinando além dos dez tipos tradicionais de pães, receitas também de panetones, tortas e cookies. Até abril, quando Alckmin deverá deixar o governo para se dedicar à campanha, dona Lu terá inaugurado 39 unidades. O projeto das padarias nasceu em 2001, um mês após a morte do então governador Mário Covas, de quem Alckmin era vice.

Recebida com honras pelas lideranças políticas locais, com direito a trilha sonora (músicas de Roberto Carlos, geralmente), animador de plateia, buquês de flores e cestas com artesanatos da região, dona Lu pouco fala do marido ou de suas pretensões políticas, mas ouve de prefeitos, vereadores e deputados aliados apoio ao nome do tucano para o Planalto.

Atuante nas redes sociais, ela faz as próprias postagens em seus perfis, sem qualquer orientação ou estratégia profissional. Há pouco tempo aprendeu a colar vídeos e fotos na mesma publicação e viu os acessos a seus comentários de viagens aumentar no Facebook. “Eu amo escrever, mas percebi que as pessoas gostam mais do movimento, gostam mais de assistir aos depoimentos das pessoas que participam dos cursos do que ver fotos e ler meus textos.”

As postagens geralmente são relacionadas a novidades de seus projetos sociais. Além das padarias, dona Lu lançou cursos nas áreas de moda, beleza e construção civil. A fila de espera hoje para preencher as vagas ofertadas é de 11 mil pessoas.

Filho. Avessa a eventos sociais, entrevistas e exposição na mídia, dona Lu disse que a sociedade não faz ideia do quanto trabalha. “Os mais pobres me conhecem. A sociedade, não. Mas são os mais pobres que me interessam. Quando estou ajudando os outros, fazendo o bem, sinto a presença do meu filho. Eu me emociono muito com as histórias. Cada vez que eu escuto um depoimento eu lembro do Thomaz. E falo baixinho: Thomaz, é você que está fazendo isso. Essa é a minha homenagem a ele.”

O caçula dos três filhos de Alckmin e dona Lu morreu em abril de 2015 em um acidente aéreo. Passados mais de dois anos, ela ainda se emociona diante de qualquer lembrança do filho. Carrega consigo sempre um lenço para enxugar as lágrimas que classifica como de saudade, mas também de alegria. “Se eu tiver a oportunidade de levar meus projetos para o Brasil, farei isso com o Thomaz. Vamos nós dois, sempre juntos.”

Alckmin monta chapa de consenso para executiva do PSDB


Após desistirem de disputar a presidência da sigla, Jereissati e Perillo devem ser contemplados com cargos de destaque

Pedro Venceslau - Estadão



O governador Geraldo Alckmin (SP) conseguiu nessa quinta-feira, 7, costurar um acordo político para formar a próxima direção executiva nacional do PSDB. Após uma série de conversas com o governador de Goiás, Marconi Perillo, e os senadores Tasso Jereissati (CE) e Aécio Neves (MG), Alckmin formatou uma direção que contempla todas as correntes internas. 

Após desistirem de disputar a presidência do PSDB para apoiar o governador paulista, Jereissati e Perillo devem ser contemplados com cargos de destaque. O senador cearense deve assumir o Instituto Teotônio Vilela, braço teórico do partido que recebe 20% dos recursos do Fundo Partidário por mês - cerca de R$ 1 milhão. Já Perillo deve ser indicado para a 1° vice-presidência tucana e pode assumir o comando do partido em agosto para que Alckmin se dedique apenas a eleição presidencial.

O novo estatuto do PSDB, que deve ser aprovado sábado na convenção do partido em Brasília, prevê que uma linha de comando vertical na vice presidência da legenda. Atualmente, os 8 vice-presidentes tem o mesmo status. 

Aliado de Aécio, o deputado federal Marcus Pestana (MG) deve assumir outro posto chave: a secretaria-geral. Atual ocupante do cargo, o deputado Silvio Torres (SP), aliado de Alckmin, deve migrar para a tesouraria do PSDB. 

"Precisamos organizar o centro político para nos contrapor aos extremos. A preliminar será a nossa unidade, que é a coisa mais preciosa para dialogarmos com outras forças políticas", disse Marcus Pestana ao Estado/Broadcast.

Segundo o deputado, os últimos ajustes serão feitos amanhã. Alckmin deve desembarcar nesta sexta-feira em Brasília para prestigiar as eleições dos grupos setoriais do PSDB - Juventude, Tucanafro, Mulheres e Diversidade.

PSDB pode ganhar ou perder, mas tem de manter valores, afirma FHC


IGOR GIELOW - FOLHA.COM


Para o decano do tucanato, Fernando Henrique Cardoso, o PSDB precisa defender valores como o reformismo mesmo que isso lhe custe vitória eleitoral em 2018.

Presidente de 1995 a 2002, ele vê o governador lGeraldo Alckmin (SP) como o nome mais provável na disputa e elogia sua "simplicidade".

Critica pulverização ao centro e dá seu receituário para a campanha: defesa de crescimento com responsabilidade, inclusão social e temas cotidianos como segurança e emprego. FHC, 86, recebeu a Folha na quarta (6) na fundação que leva seu nome no centro de São Paulo.


Folha - Geraldo Alckmin será, na prática, ungido candidato no sábado (9). Qual deve ser o seu discurso?

Fernando Henrique Cardoso - O Brasil precisa de um discurso que seja sincero, firme e que dê rumo. Para isso, você tem de pensar grande e ter pressa. Quais são as aflições? O Brasil não é um país pobre, mas com muitos pobres. Então temos alavancas. É preciso construir uma sociedade mais decente, que não pode conviver com o grau de desigualdade que nós vivemos. As pessoas existem, precisamos ir além das bolsas.

Essa é a visão que sempre foi do PSDB e de quem não tem visão unicamente de mercado, que obviamente você tem de levar em consideração.

Vai tudo depender de mais ciência e tecnologia, centrado em educação. Na globalização, não haverá emprego a todos. Um mecanismo que parecia ser utópico, a renda mínima, vira necessidade.

É preciso falar de coisas concretas, como segurança. O povo quer coisas simples. O receituário poderia ser consensual, mas foi afetado pela crise de representatividade. No Brasil, com especificidade da corrupção. A Lava Jato destampou o caldeirão e as pessoas sentem o mau cheiro.

Isso gerou a busca pelo "novo". O sr. já citou como exemplos o prefeito João Doria e o apresentador Luciano Huck, mas eles murcharam.

Murcharam.

Como conciliar essa demanda pela novidade com um sistema político-partidário restritivo, que tem em Alckmin um representante tradicional?

O sistema político de 1988, e eu sou coautor, está se exaurindo. Os partidos viraram sopas de letras. A gente fala do "novo", mas na sociedade o velho se transforma por dentro. É muito importante ouvir movimentos de gente de fora.

*Grupos como o Agora!, RenovaBR e outros?*

Eu acho muito positivo, não no sentido ingênuo de que algo de novo sairá. Você não muda nada sem liderança capaz de transmitir essa mensagem. O [presidente francês Emmanuel] Macron era de dentro do sistema e propôs uma utopia progressiva. Aqui precisamos de uma utopia progressiva viável, ainda que seja contradição em termos.

O sr. vê o Alckmin como esse Macron?

Não sei se Macron, porque aqui é diferente. Primeiro, o PSDB ainda não tem um candidato. Claro, o que tem a maior probabilidade de ser é ele. Ele tem o olho nas contas públicas. É fácil mostrar o que acontece quando ele perde, como no Rio. E pessoalmente não há nada contra ele.

Há a acusação sobre caixa dois [em análise no STJ].

Mas aí é uma alegação longíqua, sobre dinheiro de campanha. E ele tem uma simplicidade. A população olha e diz: "Essa gente rouba, faz festa a vida inteira, anda de jatinho". Precisamos ter uma liderança mais simples, de gente mais normal, sem fanfarronice e pose. O Geraldo tem essa certa simplicidade.

É preciso ser capaz de ouvir gente. Eu fui ministro da Fazenda, eu olhei alguns livros de economia, mas não sou economista. O que eu fiz? Juntei quem sabia. O presidente não precisa ser um sabe-tudo. Ele precisa saber falar com a nação e as pessoas precisam entender. E gente que não é do meu partido que foi capaz disso.

O Lula.

O Lula. Eu falava pouco de inflação, falava de carestia. E isso tudo não basta. Você precisa liderar o Congresso e saber que sem agenda do Executivo, o Congresso paralisa tudo e exige. Quando você não tem isso, é preciso ter capacidade de manipulação do Congresso, e ela deu no que deu: mensalão, petrolão.

É importante também entender a máquina pública. O governador de São Paulo tem todas essas características, foi deputado, ficou anos no cargo. Vai realizar? Depende dele.

Para um partido que se diz reformista, não é contraditório o debate sobre apoiar a reforma da Previdência no PSDB?

Bom, isso está errado. Há um temor dos parlamentares de temas que são impopulares perto da eleição. Para você liderar, você não tem de seguir. Em política, é preciso ter valores. Você pode ganhar ou perder, mas não pode perder a cara. No caso de reformas, tem de ter sensibilidade, mas não se omitir. Senão vamos para um buraco, como o Rio.

Fechar a questão?

Isso só serve para deputado ter uma desculpa. A reforma vai resolver os problemas do Brasil, mas é um começo. Muito está mudando. Eu não gosto de ver gente na cadeia, inclusive algumas que eu estimo. Mas é verdade que é a primeira vez que estamos vendo gente poderosa na cadeia.

Mas calma. É preciso que a Justiça julgue, que não fique só na acusação. Só chegamos aonde chegamos porque houve muita leniência na cultura brasileira. Só se muda com exemplo. Acho que os líderes dos partidos têm de se comportar como dizem que são.

Assim, como fica o PSDB com o senador Aécio Neves, investigado na Lava Jato?

São alegações.

Não só, há um áudio bem claro [pedindo dinheiro ao empresário Joesley Batista].

Tem áudio por todo lado. Nem todos os partidos basearam sua renda em crime. O PSDB não organizou nada. Uma coisa é a pessoa desviar conduta, mas aí a responsabilidade é individual.

Mas ainda assim o PSDB associou-se a um governo que já carregava acusações graves.

Bom, até hoje dizem que eu comprei os votos da reeleição. Isso está no seu jornal [a Folha revelou o caso em 1997]. Mas quem é acusado tem de se explicar e o partido não tem de encobrir. Não estou aliviando para ninguém.

Há um constrangimento? Seria melhor o Aécio se afastar?

Natural [o constrangimento], não só no PSDB. Eu não vou dizer o que ele deve fazer, mas tenho a dizer que todas essas situações no Brasil são muito constrangedoras.

Como o sr. avalia o fenômeno Jair Bolsonaro ?

Nos acostumamos a achar a direita uma coisa só. E não é.

Há centrão fisiológico, há conservadores, e há um setor novo que é autoritário. Isso é uma coisa nova, uma reação à desordem. Não se deve confundir autoritarismo com necessidade de segurança.

Esse debate não está sendo capturado por essa franja mais extrema?

Acho que sim. Bandido bom é bandido julgado, não morto. Agora, dizer que bandido é bom não é possível. As pessoas ficam meio constrangidas de dizer isso porque acham que é coisa de direita.

É algo cultural, tanto que há aquele ditado segundo o qual todo político é de esquerda até governar. O sr. ainda se considera de esquerda?

Eu me considero dependendo de como você define. Hoje não é mais tanto "left and right" (direita e esquerda, em inglês), mas "right and wrong" (certo e errado). Claro, é uma simplificação. Você tem de ter um sentido de justiça social. Não pode achar que o mercado resolve tudo.

O discurso da gestão esteve muito presente na eleição paulistana de 2016, com a vitória do Doria. Como o sr. avalia essa queda de avaliação dele?

É preciso esperar um pouco para ver. As pessoas têm sempre a capacidade de se recuperar e também de cair mais. A modernização da gestão implica aprender que a gestão pública não é igual à privada. Eu não me preocupo muito com subidas e descidas, quantas vezes isso aconteceu comigo? Vinha pesquisa e dizia que eu era arrogante. Eu, arrogante? Nunca fui, mas na pesquisa pode dar. Vou fazer o quê?

Como o sr. avalia o impacto para o processo democrático do caso da condenação de Lula? O PT diz que eleição sem ele será uma fraude.

Quando Lula ganhou, ele o fez com um discurso inclusivo. Quando ele perdeu, usava uma linguagem muito sectária. Ele a está usando de novo, não que ele queira, mas não sobrou muito. Nesse momento, o Brasil precisa de uma linguagem de união.

Como o sr. vê a resistência Michel Temer no cargo?

Ele foi presidente da Câmara por três vezes, foi presidente do PMDB, e entendeu que tinha de fazer coisas para a história. O resto é o resto, todos têm suas circunstâncias.

Hoje o sr. defenderia a entrada no governo?

Naquela hora o PSDB tinha responsabilidade. A questão não é o desembarque. Você acha que o país vai perguntar sobre isso na hora de votar? Sou reticente sobre impeachment, mas uma hora não dá mais. Se fosse parlamentarismo, só caía o governo.

Há espaço para discutir parlamentarismo? Há essa ideia de um semipresidencialismo.

Não. É para o futuro. O espaço daqui em diante é para eleição e o que a afeta: Lava Jato, clima da economia.

Falando em economia, o sr. acha que o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) tem chance de ser candidato?

Você acha (risos)? Acho que seria um erro haver uma divisão. Não há condições políticas para alguém que não tenha uma estrutura partidária mais sólida. Poderia haver um "outsider" correndo por fora, mas não é tão simples.

A estrutura político-partidária é restritiva. Não é como a França, mais permeável.

E lá o presidente é eleito primeiro e o Congresso vem depois. Isso tinha de ser pensado. Aqui, pode ganhar sem maioria. Na França, ele ganha e aí vai construir sua maioria.